Condução coercitiva de reitores da UFMG durante operação da Polícia Federal levanta críticas
Quarta-feira, 6 de dezembro de 2017

Condução coercitiva de reitores da UFMG durante operação da Polícia Federal levanta críticas

Foto: Reprodução/UFMG

Na madrugada desta quarta-feira (6), a Polícia Federal deflagrou a Operação “Esperança Equilibrista” para apurar um suposto desvio em recursos públicos na Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), que teria sido utilizado para a construção do Memorial da Anistia Política do Brasil. 

A operação contou com 84 policiais federais, 15 auditores da Controladoria-Geral da União (CGU), 2 do Tribunal de Contas da União também cumpriram 8 mandados de condução coercitiva e 11 de busca e apreensão.

De acordo com a nota da CGU, até o momento foram apurados desvios de mais de R$ 3,8 milhões de recursos. “Além disso, na execução e na prestação de contas da iniciativa, foram verificadas irregularidades, como: falsificação de documentos, pagamento de estágio a pessoas sem vínculo estudantil, desvio de valores para outras contas estranhas ao projeto, além de gastos não relacionados ao objeto da obra“, diz a nota. 

O projeto inicial do museu passou de R$ 5 milhões para quase R$ 30 milhões, sendo que o valor gasto até o momento é de quase R$ 20 milhões. A obra envolve construção, reforma de edifícios e produção de conteúdo da exposição, com vistas à preservação e difusão da memória política dos períodos de repressão.  

Em nota, a Comissão da Verdade em Minas Gerais (COVEMG) afirmou que recebeu “com surpresa e indignação a notícia da realização da operação da Polícia Federal“. Isso porque a COVEMG entende que “ao criminalizar uma das maiores Universidades do país abre-se a porta para a criminalização de todo um segmento que não se alinha aos setores autoritários”.

A Comissão, que acredita que o momento é de Estado de Exceção, comparou as conduções coercitivas com o “ocorrido com o reitor da UFSC, a absurda nota de instituição financeira do exterior a criminalizar o ensino superior público, as inúmeras investidas contra os setores profissionais, artísticos e culturais que lutam contra o arbítrio e pela democracia real”.  são claros sinais do estado de exceção em curso no país”.

Para o mestre e doutor em Ciência Política pela USP, Frederico de Almeida, é evidente que a universidade não está imune à corrupção, “mas em tempos de espetacularização de operações policiais, de ataques diversos à universidade pública, e com a suspeita que ainda paira sobre a ação policial que levou ao suicídio do reitor da UFSC, toda cautela é pouca e toda solidariedade à comunidade da UFMG é necessária“.

O professor de ciência política, Luis Felipe Miguel, da UnB, demonstrou solidariedade no caso. “Universidade pública, esquerda e corrupção, uma vez mais, fundidos no noticiário. Toda a solidariedade aos professores Jaime Ramírez e Sandra Goulart Almeida e à UFMG”.

Leia a nota da Covemg na íntegra

A Comissão da Verdade em Minas Gerais (COVEMG) recebeu com surpresa e indignação a notícia da realização da operação da Polícia Federal, ironicamente, intitulada “Esperança Equilibrista”.

Há um evidente ataque de setores conservadores e autoritários contra a Universidade brasileira e tudo o que essas instituições representam para o Brasil.

O ocorrido com o reitor da UFSC, a absurda nota de instituição financeira do exterior a criminalizar o ensino superior público, as inúmeras investidas contra os setores profissionais, artísticos e culturais que lutam contra o arbítrio e pela democracia real são claros sinais do estado de exceção em curso no país.

A construção do Memorial da Anistia em Belo Horizonte é um complexo projeto arquitetônico e de engenharia que envolve a reforma de prédios antigos e a construção de novos equipamentos em terreno com problemas estruturais. Portanto, o devido acompanhamento dessa obra, paralisada a fórceps pelo atual governo federal, não deveria ser objeto de ação policial e sim, de adequações financeiras, técnicas e administrativas.

Os acervos memorialístico e documental que compõem o Memorial, de vital importância para a história, a memória e a justiça em nosso país, demandam uma construção cuidadosa e diversificada.

Ao criminalizar uma das maiores Universidades do país abre-se a porta para a criminalização de todo um segmento que não se alinha aos setores autoritários. Nós da Covemg conhecemos bem essa metodologia.

Manifestamos nossa solidariedade aos dirigentes e ex-dirigentes da UFMG constrangidos nessa operação. Afinal, tendo residência fixa e sendo cidadãos do mais alto conceito, a condução coercitiva se transforma numa brutal violência, a evidenciar o obscurantismo que envolve ações da justiça e da polícia nesse momento histórico.

Estendemos à toda a comunidade da UFMG nossa solidariedade e apoio.

COMISSÃO DA VERDADE EM MINAS GERAIS

Carlos Melgaço Valadares

Emely Vieira Salazar

Jurandir Persichini Cunha

Maria Celina Pinto Albano

Maria Ceres Pimenta Spínola Castro

Paulo Afonso Moreira

Robson Sávio Reis Souza (coord.)

Quarta-feira, 6 de dezembro de 2017
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