MPT promove audiência sobre o caso do jornalista William Waack
Quinta-feira, 8 de fevereiro de 2018

MPT promove audiência sobre o caso do jornalista William Waack

Foto: Reprodução 

O Ministério Público do Trabalho no Rio de Janeiro (MPT-RJ) realizou nessa terça feira (6), no auditório do órgão, audiência para discutir os desdobramentos do procedimento promocional instaurado em razão da repercussão de um vídeo do jornalista William Waack, à época responsável pela apresentação do Jornal da Globo, da Rede Globo.

No episódio, o jornalista fez declarações racistas antes de entrar, ao vivo, na cobertura das eleições presidenciais norte americanas de 2016. O procedimento tem como objetivo buscar a reparação pela ofensa, estabelecendo um diálogo entre a emissora e movimentos sociais negros, buscando definir ações de reparação de cunho antirracista por parte da TV Globo.

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Para a coordenadora nacional de Promoção de Igualdade de Oportunidades e Eliminação da Discriminação no Trabalho (Coordigualdade), Valdirene de Assis, o procedimento tem como foco reparar o dano causado à população negra, mais especificamente no que diz respeito às relações de trabalho.

“A demanda que está aqui é referente a uma manifestação de conteúdo racista, que foi propagada, e a nossa preocupação são os danos que essa manifestação provocou, e provoca, no ambiente de trabalho e em seus trabalhadores; além da repercussão negativa que isso tem para os trabalhadores brasileiros negros e negras de uma forma geral”, disse Valdirene. 

Na primeira audiência, realizada em 5 de dezembro de 2017, foi sugerido que a emissora apresentasse, como medida reparatória, um projeto de reportagens envolvendo os movimentos sociais e que debatesse o tema racismo. A emissora se opôs e apresentou ao MPT mídia digital contendo gravações de programas de jornalismo da TV Globo em que o tema racismo é abordado.

O advogado da TV Globo, Luiz Felipe Tenório da Veiga, afirmou que “a empresa já realiza campanhas e possui a postura de rechaçar qualquer tipo de discriminação, inclusive a racial, e entende que a empresa não é responsável por qualquer dano que demande reparação. “
Frei David, representante da Educafro, entende que “a emissora precisa adotar medidas de cunho pedagógico, promovendo, por exemplo, um curso sobre relação racial para seus funcionários. “

A TV Globo se comprometeu, até o dia 27 de fevereiro, a analisar e responder uma carta da Educafro sobre o mesmo episódio, reencaminhada pelo MPT, na qual a entidade levanta questões sobre o assunto. Os vídeos apresentados pela emissora serão disponibilizados para análise das entidades envolvidas, para posterior posicionamento sobre sua eficácia como medida reparatória.

Estiveram presentes na audiência a procuradora do Ministério Público do Trabalho em São Paulo (MPT-SP) e coordenadora nacional de Promoção de Igualdade de Oportunidades e Eliminação da Discriminação no Trabalho  (Coordigualdade), Valdirene Silva de Assis, o procurador do MPT e chefe de gabinete do procurador-geral, Rafael Dias Marques; a procuradora do MPT-RJ responsável pelo procedimento, Luciana Tostes; o representante da TV Globo, assistido por advogado, além de representantes da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) e de movimentos negros. Participaram, também, por vídeo conferência representantes do MPT e de movimentos sociais em Brasília e São Paulo.

Informações da ASCOM MPT. 

Assista ao bate papo de Igor Leone com Djamila Ribeiro no Pandora Lab sobre “O que é Lugar de Fala”:

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