(Fé)ministas, uni-vos!
Sexta-feira, 16 de fevereiro de 2018

(Fé)ministas, uni-vos!

Foto: Reprodução

Lançada em meados de janeiro, (fé)ministas se dispõe a ser um espaço de diálogo entre Espiritualidade, Fé, Política e Direitos Humanos, tendo por objetivo denunciar os abusos cometidos em nome da Fé e as relações reprováveis de líderes religiosos com o Estado. E com base nesse objetivo, a nossa crítica tem um viés determinante e principal: a opressão de gênero.

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Nessa perspectiva, vale a pena rebater o famoso jargão utilizado para criticar o feminismo que se localiza como interseccional: “Pós-modernas”. Vamos lá, o argumento pós-moderno ao qual tantos tecem críticas, é o princípio epistemológico que analisa discursos e não atenta para a materialidade das realidades sociais.

Então, como boas feministas interseccionais, vamos mostrar a materialidade das realidades de opressão de gênero nas religiões, ou seja, não se trata de ser “pós-moderno” dizer que as intersecções são agravantes de opressões sociais. Que não temos um único inimigo comum, que as pessoas podem sofrer variadas opressões coordenadas e que são todas elas estruturais. O machismo é estrutural, o racismo é estrutural, a homofobia é estrutural e assim por diante.

Dessa forma, não há melhor maneira de denunciar a estrutura se não dando a ver os discursos odiosos que são reflexo, mas que, também, dão origem às opressões sociais. Quando apontamos que as religiões são instituições que também reproduzem opressões sociais que são estruturantes na sociedade, estamos denunciando que independentemente de qual religião falarmos, as opressões sociais estão presentes, pois a religião é forjada socialmente em uma sociedade com graves problemas estruturais.

Não estamos, assim, negando questões de classe, apenas abrindo o espectro para outras opressões que estão presentes nas relações sociais. Não se trata de não levar em consideração a materialidade da vida, mas de mostrar como as realidades são diversas e que precisam ser vistas para serem combatidas.

E como dar a ver às opressões senão ouvindo as religiosas que enxergam em seus espaços de fé opressões que devem ser combatidas?

Sim, esse texto é uma convocação a todas que queiram falar de fé e de opressão de gênero.

QUALQUER FÉ. Assim, não resistimos à tentação de parafrasear Marx, risos. A gente faz graça, mas o assunto é sério (e a convocação, também). Chamamos a todas a religiosas a se unirem às (fé)ministas para cumprirmos com o propósito desta coluna.

Você já se sentiu impedida de professar sua fé em algum ambiente religioso por ser mulher? Já foi julgada em sua comunidade religiosa por ser mulher? Há regras de conduta diferentes para homens e para mulheres? A ação masculina tem mais espaço e mais valor nas hierarquias de sua religião? Há interdições que são mais uma expressão do machismo? Há exemplos de desconstrução do machismo e de abertura em sua comunidade? Junte-se a nós, também!

Essa ação é parte do março-denuncia, um mês de exposição das opressões vividas pelas mulheres e que devem ser combatidas. É pela vida das mulheres, de todas as mulheres. (Fé)ministas, uni-vos!

Em breve todos os relatos serão publicados, por favor mandar os relatos para o e-mail: [email protected]

Jacqueline Moraes Teixeira é graduada em Ciências Sociais (USP) e em Teologia (Mackenzie), Mestre e Doutoranda em Antropologia Social (USP) onde  tem estudado as questões de corpo, gênero e religião.

Simony dos Anjos é graduada em Ciências Sociais (Unifesp),  mestranda em Educação (USP) e tem estudado a relação entre antropologia, educação e a diversidade.

Para além de cientistas sociais, ambas são oriundas de denominações cristãs de tradição protestante, o que as ambientou desde muito cedo a uma educação religiosa de princípios considerados conservadores e patriarcais , até o momento em que se descobriram feministas (ou melhor, (fé)ministas. 

Sexta-feira, 16 de fevereiro de 2018
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