Com pesar, ativistas de direitos humanos criticam assassinato de Marielle Franco
Quinta-feira, 15 de março de 2018

Com pesar, ativistas de direitos humanos criticam assassinato de Marielle Franco

Foto: Mídia Ninja.

Quantos mais vão precisar morrer para que essa guerra acabe?”. A frase que viralizou nas últimas vinte e quatro horas é de autoria da vereadora Marielle Franco, do PSOL-RJ. Mulher, negra, favelada, mãe, ela foi a quinta vereadora mais votada do Rio de Janeiro em 2016.

Marielle foi assassinada junto de seu motoristaAnderson Pedro Gomes, no bairro do Estácio, região central do Rio, na noite desta quarta-feira (14). Frente a brutal morte, diversas entidades lamentaram e cobraram apuração imediata do crime. Além disso, atos em protesto também foram marcados em mais de 10 capitais.

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O antropólogo Luiz Eduardo Soares, que esteve junto da militante dois dias antes de viajar, disse em suas redes sociais que estava devastado. “Longe do Brasil, acabo de saber do assassinato de Marielle, vereadora do PSOL, e de seu motorista, no centro do Rio. Mulher, negra, lutadora contra as desigualdades e a violência. Teve uma votação surpreendente, em 2016. Ela passou esta semana denunciando violações praticadas pela PM em Acari”, escreveu. 

“(…)Faltam palavras para expressar o horror e mal posso imaginar o que se passa na cabeça de sua filha e de sua família. E o motorista, sua família, um trabalhador inocente, honrado? A polícia confirma que foi execução. A juíza Patricia Acioly foi assassinada em 2011 por policiais militares. Agora, é possível que o mesmo tenha acontecido. Quando, meu Deus, quando a população vai despertar e entender que a insegurança pública começa nos segmentos corruptos e brutais das polícias, e que não podemos conviver mais com esse legado macabro da ditadura. Vamos continuar falando em “desvios de conduta individuais”? O que fazer, agora, além de chorar? – Luiz Eduardo Soares

A Procuradora do Estado Margarete Gonçalves Pedroso questionou: “Agora, à noite, chega a notícia do bárbaro assassinato de uma vereadora, militante negra e bissexual, defensora de direitos humanos (sim!), que denunciava as condutas ilegais da intervenção federal no Rio. O que mais terá que acontecer? O que falta para acordar?”

Para o mestre e doutor em Direito do Estado pela PUC, Pedro Estevam Serrano, “tem de haver intensa e isenta investigação que apure os fatos”, uma vez que já surgem “fortes suspeitas de tal fato ter se dado em relação às críticas e ações políticas recentes da vítima, que vinha fustigando os abusos policiais no Rio e outras ações de investigação parlamentar.

“A própria Policia afirmou agora que não acredita na hipótese de latrocínio”, conclui Serrano.

“Marielle Franco, guerreira, mulher negra, linda, destemida, amiga, ninguém podia parar você. Pensam que pararam, esses covardes que hoje tiraram a sua vida e a de Anderson Pedro Gomes, o motorista que a acompanhava. Mas apenas multiplicaram a sua força em todos nós. Vamos pra cima, mais do que nunca”, escreveu Átila Roque, diretor da Ford Brasil.

Ativistas do Movimento Negro também manifestam repúdio

Nas redes sociais, a mestre em Filosofia Djamila Ribeiro condenou “terrível assassinato”: “Estou sem palavras hoje, meu peito dói, não consegui dormir, estou cansada de ver a gente ser escudo. Hoje vivo o luto. Mas, por tudo o que fizestes, seguiremos. Marielle, presente!”.

Já a colunista no Justificando, arquiteta e feminista negra Joice Berth, chamou a atenção para quem faz uso político do assassinato da vereado como consequência do “golpe”, enquanto corrobora para a lógica racista. De acordo com Joice, é falta de respeito falar em golpe nesse momento. “Nós estamos sendo executados nas mãos do sistema racista continuamente. O nosso golpe, o golpe que deram na população negra antecede o impeachment da Dilma. É um golpe de toda a branquitude que se omite a respeito da discussão racial”, destacou.

Quinta-feira, 15 de março de 2018
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