As perguntas que a Volkswagen Brasil não responde
Quinta-feira, 22 de março de 2018

As perguntas que a Volkswagen Brasil não responde

Foto: Lançamento do carro Jetta (Volkswagen/Divulgação)

Está em cartaz em plataformas conhecidas de filmes e série a “Rota do Dinheiro Sujo”, de produção da Netflix, que traz alguns episódios sobre fraudes desenvolvidas na esfera privada que geram bilhões em prejuízo para a população, como também em danos profundos ao meio ambiente.

Para o colunista do Justificando, Advogado e Professor universitário no Rio Grande do Norte, Gustavo Freire Barbosa, “o grande trunfo da série é demonstrar que as situações apresentadas em cada documentário não dizem respeito a dilemas morais e particulares próprios de cada organização, mas à própria dinâmica estrutural do modo de produção capitalista. No primeiro episódio, por exemplo, fica evidente que não é só a Volks que faz isso, pois quem não fizer é engolida”.

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Investigação interna da Volkswagen indica colaboração da montadora com ditadura

Barbosa, ao falar da Volks, refere-se ao primeiro episódio da série, o qual esmiuça uma fraude mundial operada pela montadora e que foi um grande escândalo no mundo, porém muito pouco tratada no Brasil. Basicamente, o esquema começou na adulteração pela Volks nos testes de emissão de poluentes de carros movidos a diesel, fabricando o resultado de que os veículos seriam bem menos poluentes do que a média dos outros carros, o que era mentira, mas garantiu um boom de vendas que colocou a montadora na liderança mundial, muito por conta do discurso bio-sustentável, alardeado em incontáveis peças publicitárias.

Ocorre que a montadora foi desmascarada por um estudo da Universidade de West Virginia, nos Estados Unidos, a qual identificou que, ao contrário do que foi mundialmente anunciado, os carros eram muito mais poluentes do que a média. Além disso, investigações futuras revelaram que a montadora fazia testes em animais e em humanos.

O escândalo ganhou proporções globais, custando o cargo do presidente da Volkswagen nos EUA, como também na matriz na Alemanha. Entretanto, pouco foi discutido no Brasil, incluindo quantos carros foram comercializados no país com a adulteração, bem como quais foram os danos ao meio ambiente e se alguma compensação ambiental está em curso. Informações preliminares buscadas em revistas de carros dão conta que ao menos 83 mil veículos adulterados foram vendidos no país, em especial a picape Amarok.

Questionada por duas vezes pela redação do Just – na primeira, pelo próprio canal “Fale Conosco” do site e na segunda no e-mail profissional do responsável pela assessoria de imprensa – a Volkswagen Brasil não respondeu em nenhuma oportunidade. Foram feitas as seguintes perguntas:

Assistimos à série “Na Rota do Dinheiro Sujo”, cujo primeiro episódio trata do processo de fraude no teste de emissão de poluentes nos carros a diesel [pela Volkswagen]. Tendo em vista a denúncia, perguntamos:

1) Quantos veículos adulterados foram comercializados no Brasil? Houve recall ou reembolso referente a todos os veículos comercializados?

2) Houve alguma campanha na mídia em resposta aos consumidores vítimas dessa adulteração? Caso positivo, por quanto tempo e onde foi veiculada?

3) O Presidente da Volkswagen dos EUA e da Alemanha se pronunciaram sobre o tema. Houve pronunciamento da presidência no Brasil? 

4) Como é feito e quem é responsável pela fiscalização de emissão de poluentes no Brasil? Quais foram os últimos resultados da Volkswagen?

Quinta-feira, 22 de março de 2018
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