Trocamos barris de petróleo por barris de sangue
Segunda-feira, 11 de junho de 2018

Trocamos barris de petróleo por barris de sangue

Foto: EBC

O governo conseguiu!”, essa foi a forma demonstrada pela grande mídia de evidenciar uma vitória do Governo Federal na venda de 3 dos 4 blocos ofertados nas áreas do pré-sal, lhe resultando uma arrecadação de 3,15 bilhões[1]. Contudo, em tempos que o representante da nação é, por muitos, visto como um vampiro, faz-se por necessário analisar os reflexos e resultados das atitudes tomadas em sua gestão.

Embora seja volátil a o preço do barril de petróleo, e o início de 2016 ser caracterizado pela forte queda do mesmo, já haviam levantamentos que atestavam que “o pré-sal ainda é um tesouro e vai produzir. O momento é ruim, mas o preço do petróleo pode subir[2]. Nesta linha, o MEC informou ao site BBC, que esperava para o Projeto de Lei Orçamentaria Anual de 2016 o rendimento de 4,4 bilhões à União, com base no preço do petróleo entre US$ 53 a US$ 60². Estes fatores provocaram, no presente momento, um espanto pelo acordo realizado nos leilões desta quinta-feira dia 07, haja vista o valor do barril, comparado a 2016, ter valorizado 159% passando a ser negociado a US$ 75 dólares, ou seja, a lucratividade superaria o estipulado em 2016, mas na contramão da população a grande mídia estimula o leilão na expectativa de ficarmos nos vangloriando por termos vendido 3 importantes bacias, que deveriam ser exploradas pela Petrobrás, ao capital privado.

Por que o espanto? Lhe digo caro leitor. Em uma entrevista realizada no dia 05 de junho deste ano, para o canal TV 247, no Youtube, o mesmo consultor da câmara dos deputados citado, o Engenheiro Doutor Paulo Cesar Ribeiro Lima, elucidou a discrepância das bacias do pré-sal, onde 3 (três) poços do pré-sal seriam comparados a uma média de 15 (quinze) poços comuns aqui no Brasil, sendo a extração do pré-sal somente similar a Arábia Saudita e alguns países do Oriente Médio, estes recordistas mundiais da extração do referido bem[3].

Após esse vislumbre é a hora que devemos nos recordar que o destino dos lucros advindos do petróleo contribuiriam na ordem de 50% (cinquenta por cento) na Educação da nossa nação, nos recordar que apenas 1 (uma) das 20 (vinte) metas definidas por lei, no Plano Nacional de Educação (PNE), foi cumprida[4] e que a falta de educação, se atrela ao nosso recorde de homicídios, não propiciando alternativas justas para a  população mais pobre desse país crescer com o mínimo de dignidade.

Portanto, torna-se uma questão central entendermos que a violência é um efeito colateral, aumentado exponencialmente pela da falta de perspectiva de uma parte da sociedade, correlacionado as aspirações que esta tem de felicidade,como a aquisição de bens, aceitação social, etc., todavia, optamos por encarar a criminalidade urbana como um desvio espontâneo a qual deva ser reprimida, tão somente, pela repressão militar.

O resultado é este, a divulgação alarmante do Atlas da Violência pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública(FBSP)e pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea)[5], que atesta mais um recorde de sangue derramado no ano de 2016. Sangue este, que se difere entre jovens criminosos e policiais militares, mas que se une no aspecto de classe social, pobres matando pobres, ao troco do benefício de pouquíssimos que usurpam dos bens públicos para manter seus privilégios e distanciarem-se dos gritos emanados da nação que suplica por socorro.

Não obstante, ainda contamos com os acordos espúrios do atual Governo, sobre a privatização de setores centrais da nação, que são hoje, as principais formas de mobilizarmos uma mudança de paradigma social, bem como, com a revolta da população pelo descrédito institucional criado após o golpe de 2016, que gerou uma onda de buscas por soluções imediatas, ou seja, o sangue pelo sangue.

Assim, caminhamos para uma eleição que tem como mais cotado um fascista, vendemos as nossas riquezas a preço de banana, retiramos dos mais pobres maneiras de ascender socialmente, somos bombardeados por paralisação de setores centrais e provocamos, com isso, o maior derramamento de sangue já visto, mas tudo isso já era esperado de uma nação que tem como representante um vampiro neoliberal.

José Lucas dos Santos Rodrigues é estudante de Direito na Faculdade de Direito de Cachoeiro de Itapemirim/ES. Estagia no Ministério Público do Estado do Espirito Santo 1º Promotoria Alegre/ES.


[1]SILVEIRA, Daniel, MENDONÇA, Alba Valéria e ALVARENGA, Darlan. Governo leiloa 3 dos 4 blocos do pré-sal e arrecada R$ 3,15 bilhões,G1, Rio de Janeiro e São Paulo, 07 de jun. de 2018. Disponível em <https://g1.globo.com/economia/noticia/governo-arrecada-r-315-bilhoes-com-novo-leilao-do-pre-sal.ghtml>.Acesso em 07 de jun. 2018
[2] IDOETA, Paulo Adamo. Por que os recursos do pré-sal estão frustrando o setor da educação, BBC News, São Paulo, 20 de jan. de 2018. Disponível em < https://www.bbc.com/portuguese/noticias/2016/01/160104_royalties_educacao_pai > Acesso em 07 de jun. 2018.
[3] ENGENHEIRO PAULO CESAR RIBEIRO LIMA, DA PETROBRAS, DENUNCIA A ENTREGA DO PRÉ-SAL. Tv 247. Youtube. 5 de jun. de 2018. 43min26s. Disponível em < https://www.youtube.com/watch?v=YZqHIzq7Z48 > Acesso em 07 de jun. 2018
[4] ROCHA, Gessyca. Plano Nacional de Educação tem uma meta alcançada em 20 e risco de estagnação e descumprimento.G1. 07 de jun. de 2018. Disponível em < https://g1.globo.com/educacao/noticia/plano-nacional-de-educacao-tem-uma-meta-alcancada-em-20-e-risco-de-estagnacao-e-descumprimento-diz-relatorio.ghtml > Acesso em 07 de jun. de 2018
[5] FÁBIO, André Cabette. O novo recorde de homicídios no Brasil em 3 pontos. Nexo Jornal. Disponivel em <https://www.nexojornal.com.br/expresso/2018/06/06/O-novo-recorde-de-homic%C3%ADdios-no-Brasil-em-3-pontos> Acesso em 07 de jun. de 2018.
Segunda-feira, 11 de junho de 2018
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