Primeira-ministra, mãe e feminista
Terça-feira, 10 de julho de 2018

Primeira-ministra, mãe e feminista

Imagem: New Zealand Labour Party

Em outubro do ano passado, a trabalhista Jacinda Ardern venceu as eleições para primeiro-ministro na Nova Zelândia. Se tornou, com 37 anos, a pessoa mais nova a ser eleita para o cargo e a terceira mulher à frente do governo. Agora, é a primeira chefe de estado do mundo em 30 anos a dar à luz durante o mandato, além da primeira na história a tirar licença maternidade. E mais: seu parceiro, com quem ela não é casada, ficará em casa cuidando do bebê quando ela retornar ao trabalho.

Durante a campanha eleitoral, Ardern ficou famosa pela desenvoltura para responder às perguntas sexistas dirigidas a ela. Quando perguntada sobre a possibilidade de ser mãe durante o mandato, disse que era “muito aberta para discutir esse dilema que muitas mulheres enfrentam”. Pontuou, no entanto, ser inaceitável que em 2017 as mulheres ainda tenham que responder a esse tipo de pergunta: “A decisão de uma mulher sobre quando ter filhos não deveria predeterminar se elas recebem ou não uma oferta de trabalho”.

 

 

Jacinda se tornou popular entre o eleitorado jovem na Nova Zelândia por suas propostas que incluíam a legalização da maconha e o acesso gratuito à universidade. Uma semana após dar à luz, no dia 1 de julho, a primeira-ministra introduziu um plano familiar que destina 5 bilhões de dólares para famílias neozelandesas com crianças pequenas, que receberão ajuda semanal do governo, além de auxílio-aquecimento nos meses de inverno. Ela ainda anunciou o aumento da licença remunerada para homens e mulheres com bebês recém nascidos ou recém adotados, incluindo parceiros do mesmo sexo, de 18 para 22 semanas.  

 

Quanto mais mulheres no governo, menos corrupção

Por meio de uma análise realizada em mais de 125 países, pesquisadores descobriram que, em países em que há maior participação de mulheres no congresso, é menor o nível de corrupção. Publicada em julho de 2018 no Journal of Economic Behavior & Organization, o estudo constatou que a presença de mulheres na política de nível local, com a ocorrência do pagamento de propina sendo menor em regiões com maior participação feminina.

 

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“A pesquisa ressalta a importância do empoderamento feminino, a presença de mulheres em posições de liderança e sua representação no governo”,  afirmou Sudipta Sarangi,um dos pesquisadores envolvidos no projeto. “Isso é especialmente importante à luz do fato de que as mulheres continuam mal representadas na política na maioria dos países, incluindo os Estados Unidos”.

Mundialmente, o Brasil ocupa a 152ª posição no ranking de representatividade feminina na Câmara dos Deputados, com apenas 10% de deputadas mulheres, ficando atrás de todos os vizinhos sul-americanos. No Senado, a presença feminina é de apenas 16%.

 

Por Lígia Bonfanti e Daniel Caseiro


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Terça-feira, 10 de julho de 2018
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