Homens, brancos, empresários, conservadores e reeleitos. Estudo aponta perfil do congresso em 2019
Terça-feira, 21 de agosto de 2018

Homens, brancos, empresários, conservadores e reeleitos. Estudo aponta perfil do congresso em 2019

Foto: Agência Câmera.

Fonte: Radioagência Nacional.

O número de candidatos para as eleições gerais de 2018 cresceu 6% em relação ao pleito de 2014. São 27 mil 841 candidatos para disputar as 1.654 vagas. Uma média de 16 por vaga. Os dados são do Tribunal Superior Eleitoral – TSE.

O perfil dos concorrentes é majoritariamente formado por homens, brancos, empresários, de classe alta, com ensino superior completo e de meia idade.

Última Cerimônia de posse dos 513 deputados federais eleitos. Foto: Luis Macedo/Agência Câmara.

70% dos candidatos são homens contra 30% de mulheres; a discrepância na representatividade de gênero só não é maior porque este é o limite definido por lei, que prevê que 30% dos nomes das listas partidárias precisam ser de mulheres.

Em relação a cor, a maioria é formada por brancos: são 52% do total. Somam-se a estes mais 35% que se declaram pardos, totalizando 87% de candidatos que não se identificam com nenhuma minoria étnica.  Apenas 10% se declaram pretos e ínfimos 129 candidatos se registraram como indígenas, o que representa menos de meio por cento das candidaturas.

Já em relação à ocupação, 10% dos candidatos são empresários. É a atividade mais registrada entre os inscritos para a eleição. Em seguida, vêm os advogados, que representam 6% do total. Em terceiro lugar estão os que registram a ocupação simplesmente como deputado, 4%.

 


Leia também:

 

Entre os partidos, o que mais registrou candidaturas foi o PSL, partido conservador de Bolsonaro, com 5% do total. O PSOL é o segundo com 4%. Vem na sequência o PT, o Patriota e o MDB. O PSDB, um dos maiores partidos do país, aparece em décimo segundo lugar no número de candidatos.

59% dos concorrentes têm entre 40 e 60 anos. 15% estão acima dos sessenta e 24% tem 39 anos ou menos.

Praticamente a metade, ou 49% dos postulantes a um cargo eletivo, tem o ensino superior completo. 28% afirmam ter ensino médio completo e 5% dizem ter ensino fundamental completo.

 

Representatividade baixa, renovação frustrada

Outro dado relevante é o fornecido por recente estudo do Departamento Intersindical de Assessoria Paralamentar (Diap) que mostra que a maioria dos deputados que devem se eleger em 2018 serão políticos “de carreira”.

O estudo mostra que 79% dos 513 deputados federais tentarão a reeleição em outubro. A Projeção da entidade aponta que 75% deles devem conseguir se reeleger. O levantamento foi feito com base após o registro das candidaturas no Tribunal Superior Eleitoral (TSE).

 


Leia também:

 

Na avaliação do analista político Neuriberg Dias, um dos autores do levantamento: 

A expectativa e o sentimento da população por renovação na Casa serão frustrados neste pleito.

Segundo Dias, o alto índice dos que vão tentar novo mandato com a continuidade dos grupos políticos (bancada rural, empresarial, evangélica, da bala e de parentes) que já estão no poder traz o risco de que a próxima composição da Câmara seja mais conservadora que a atual.

O perfil do Congresso Nacional será mantido. Esses grupos (bancada rural, empresarial, evangélica, da bala e de parentes) detêm muitos seguidores e podemos ter até retrocessos.

Disse o analista político.

Câmara dos deputados deverá ter menor renovação desde 1990

Além de emendas parlamentares, os que estão se recandidatando têm outras vantagens em relação a um novo candidato: nome e número conhecidos, bases eleitorais consolidadas, cabos eleitorais fiéis, acesso mais fácil aos veículos de comunicação, estrutura de campanha, com gabinete e pessoal à disposição, em Brasília e no estado. 

O levantamento também indica que as mudanças na legislação que reduziram o tempo de campanha de 90 para 45 dias e do período eleitoral gratuito de 45 para 35 dias são outros dos motivos para a baixa renovação da Câmara.

As mudanças na legislação eleitoral com a criação do fundo eleitoral e a janela partidária (período no qual foi permitida a troca de partido sem perda de mandato) permitiram aos deputados e senadores negociarem melhores condições na disputa da reeleição, como prioridade no horário eleitoral e na destinação dos recursos do fundo eleitoral.

Avalia o Diap.

Leia mais:

Corrupção se combate nas urnas?

Mais de 7 mil prefeitos e secretários têm suas contas consideradas irregulares pelo TCU

6 em cada 10 crianças brasileiras vivem na pobreza constata estudo inédito da Unicef

Com reajuste, salário de ministros do STF equivalerá a 39 salários mínimos

7 especialistas da ONU condenam medidas de austeridade implantadas no Brasil

Extrema Pobreza atinge níveis de 12 anos atrás e Brasil deve voltar ao Mapa da Fome

Com lucros bilionários, bancos não querem aumentar salário por quatro anos consecutivos

População em situação de rua passa de 20 mil e leva prefeitura de SP a antecipar censo

Quase 11 mil pessoas vivem em imóveis abandonados na capital paulista


O Justificando não cobra, cobrou, ou pretende cobrar dos seus leitores pelo acesso aos seus conteúdos, mas temos uma equipe e estrutura que precisa de recursos para se manter. Como uma forma de incentivar a produção de conteúdo crítico progressista e agradar o nosso público, nós criamos a Pandora, com cursos mensais por um preço super acessível (R$ 19,90/mês).

Assinando o plano +MaisJustificando, você tem acesso integral aos cursos Pandora e ainda incentiva a nossa redação a continuar fazendo a diferença na cobertura jornalística nacional.

[EU QUERO APOIAR +MaisJustificando]

 

Terça-feira, 21 de agosto de 2018
Anuncie

Apoiadores
Seja um apoiador

Aproximadamente 1.5 milhões de visualizações mensais e mais de 175 mil curtidas no Facebook.

CONTATO

Justificando Conteúdo Cultural LTDA-EPP

[email protected]

Send this to a friend