Viva a revolução dos micróbios na academia jurídica
Quinta-feira, 6 de setembro de 2018

Viva a revolução dos micróbios na academia jurídica

Vão-se-vos abrir as portas do maior congresso Brasileiro de direito processual penal, e por elas ides entrar algo nunca antes visto nos grandes eventos da academia jurídica brasileira: uma enorme quantidade de negros e negras.

A academia jurídica brasileira estará diante de uma revolução.

Eu a epitetei, inspirado em Medeiros, de revolução dos micróbios jurídicos.

Cingir-me-ei, aqui, a falar-vos como falaria a mim próprio, se vós estivésseis em mim.

 

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Porque sobre nós, negros e negros, foi dito por Costa Pinto, entre outros, que eles nunca viram um micróbio, depois de ser estudado por um biologista, tomar forma de gente e vir a público falar algo a respeito do qual participara apenas como objeto de laboratório.

Pois hoje, para a infelicidadade – e por que não dizer também surpresa – de muitos, os micróbios se qualificaram para o embate, seja através de mestrados e doutorados, seja através de sua própria vivência (Jane e Samuel por todos).

E o que era impossível aconteceu: os micróbios – objetos de laboratório – poderão disputar o microscópio e, assim, analisar os “biologicistas”.

Eis porque é vital louvar o IBADPP, dado que conseguiu o grande feito: romper a tradição imposta pela academia jurídica brasileira, o que coloca-o num merecido lugar diferenciado de reputação.

Não poderia deixar de dizer algo – já indo para o final – sobre o que fora afirmado linhas acima.

Naturalmente hão de acabar conjecturando que tal revolução não tardará em cair no esquecimento ante o desprezo que se tem por nós, no ambiente jurídico.

Lego engano.

Muitos hão de sorrir do que ora se escreve, atribuindo a mim uma ingenuidade escolar; quererão avaliar até onde isso – que chamam de micróbio – quererá chegar.

E logo me lembrarão do passado, quando um jovem, que passara nas primeiras colocações para estagiário do MPF, não pudera entrar na vaga que escolhera porque o Procurador da República não aceitava aluno de faculdade particular, bem como não acreditara que aquele micróbio lera os livros que carregava consigo.

Quereríeis que eu provasse? A compulsão por rabiscos, a qual adquiri, como forma de provar a capacidade de um micróbio, eu lhe devo.

Mas perdoo-te.

Por derradeiro, caros leitores e leitoras, por derradeiro, a frase que encerrará este texto advém da maior ativista de direitos humanos que já conheci, minha irmã Marielle Franco:

A gente sabe que a gente está ativa, está militando, está resistindo o tempo todo.

Viva a Revolução dos micróbios. Viva

Djefferson Amadeus é mestre em Direito e Hermenêutica Filosófica (UNESA-RJ), bolsista Capes, pós-graduado em filosofia (PUC-RJ), Ciências Criminais (Uerj) e Processo Penal (ABDCONST).

 


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Quinta-feira, 6 de setembro de 2018
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