Entidades organizam ato contra massacres em presídios como os de Altamira e Manaus
Terça-feira, 1 de outubro de 2019

Entidades organizam ato contra massacres em presídios como os de Altamira e Manaus

Imagem: Carandiru / Divulgação

 

Por Redação

 

As organizações da sociedade civil, Frente Estadual pelo Desencarceramento em São Paulo, em conjunto com diversos coletivos e movimentos sociais, organizam um ato contra a violência institucional do poder público no dia 2 de outubro, em São Paulo.

 

 

O número de assassinatos promovidos por agentes do Estado vem aumentando ano após ano. Apenas entre maio e julho de 2019, mais de 110 pessoas foram mortas somente nos presídios de Manaus e Altamira.

 

O ato de repúdio é marcado na semana do aniversário de 27 anos do Massacre do Carandiru. O episódio do Carandiru é um marco histórico, longe de ser um caso isolado, seu método de extermínio vem sendo replicado cada vez com maior intensidade e sem resposta efetiva do Poder Judiciário para conter esta prática.

 

Em razão do agravamento destas práticas, a sociedade civil entende que estas ações devem ser denunciadas como um projeto político do Estado, que vem causando o extermínio de uma parte da população. 

 

Em um manifesto coletivo, os organizadores dizem que “a dor, o sofrimento e a indignação com a violência e a tortura que são parte do modo de agir do Estado não chocam a sociedade, pois quem está morrendo são pessoas pobres, tratadas como descartáveis.”

 

O  13ª Anuário Brasileiro de Segurança Pública 2019, produzido pelo Fórum Brasileiro  de Segurança Pública (FBSP) com auxílio do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (IPEA), com base nos dados de 2018, constatou números assustadores. A pesquisa afirma que a 11 a cada 100 mortes intencionais violentas são praticadas por forças policiais. Analisou-se também que 75,4% das vítimas são negros, um crescimento total de 19,6% em relação à 2017. Não se tratando apenas das mortes em instituições prisionais, este dado reafirma a política de extermínio incentivada pelos discursos midiáticos dos governantes.

 

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Em referência à situação degradante que se encontram as prisões, afirmam que o Estado não mata apenas quando promovem massacres dentro das instituições penitenciárias. Alegam os organizadores que os presidiários sofrem de “falta de coisas básicas, como remédio adequado, atendimento médico, comida em bom estado, água quente, água potável, lugares para dormir, higiene básica. As condições das prisões são desumanas, as pessoas são obrigadas a conviver com ratos, baratas, pessoas com doenças não tratadas, para além da violência executada por agentes penitenciários e batalhões que ingressam nas unidades.”

 

De acordo com a organização, mais de quatro pessoas morrem por dia em detrimento da falta de condições prisionais, totalizando mais de 1460 mortos anualmente em presídios brasileiros.

 

O Brasil tem a terceira maior população carcerária e umas das polícias que mais matam e morrem do mundo. Mesmo assim, com números assustadores, existe uma cifra de mortos pelo Estado não contabilizados, disfarçados em estatísticas não realistas de domínio dos poderes executivos.

 

Para a Frente Estadual pelo Desencarceramento, “essas prisões e execuções não acontecem por erro de funcionamento das instituições, mas sim pelo perfeito funcionamento delas. São essas instituições que mantém a repressão das elites contra o povo. Sendo assim, entendemos que a luta contra as grades, massacres e chacinas é indissociável.”

 

A situação degradante não atinge somente as instituições prisionais, mas jovens entre 12 e 18 anos estão sendo torturados pelo encarceramento em Fundações Casa (antiga Febem).

 

“Quem diz que menores de 18 anos acusados pela prática de um crime não são punidos, não conhece a realidade do Brasil. Aqui adolescentes ficam internados por até 3 anos em unidades que não deveriam ser, mas são verdadeiras prisões, sofrendo violência, tratamentos desumanos, sendo torturados diariamente” alegam os organizadores do ato de repúdio.

 

SERVIÇO

Ato em memória aos nossos mortos

Data: Dia 02/10 | às 17h30

Local: Concentração: Praça da Sé – em frente à Catedral  – São Paulo

 

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