Lucro da escravidão moderna é semelhante ao PIB do Catar
Segunda-feira, 28 de outubro de 2019

Lucro da escravidão moderna é semelhante ao PIB do Catar

Imagem: Divulgação / MPT

 

Por Diana Ribeiro

 

A atividade é altamente rentável: segundo levantamento feito por Siddarth Kara, professor de Harvard e especialista do tema, a escravidão moderna lucrou cerca de US$ 150 bilhões em 2012. O valor é semelhante ao PIB do Catar, US$ 167 bilhões – o país foi o próximo escolhido para sediar a Copa do Mundo em 2022.

 

 

Apesar de ter sido o último país do mundo a abolir a escravidão, o Brasil proibiu a prática em 1888. Isso não significa que o trabalho compulsório deixou de existir nos dois séculos seguintes. Mas a escravidão moderna difere em muitos aspectos daquela praticada no período colonial.  

 

Algumas características constituem a forma desumana de trabalho: atividades forçadas, servidão por dívida, jornada exaustiva e condições degradantes. Todas dizem respeito a situações em que as vítimas não são capazes de se desvincular de forma voluntária e segura. 

 

De acordo com Paula Nunes, especialista em direito penal e econômico, o motivo de o trabalho análogo ao escravo continuar existindo em pleno século XXI é a alta lucratividade das atividades. Estimativas apontam que o retorno anual sobre o investimento dos empregadores que utilizam mão de obra precarização é entre 170% a 1.000%. 

 

No início de maio, a Organização Internacional do Trabalho (OIT) alertou para a necessidade de se combater as formas contemporâneas de escravidão que atingem crianças e adultos no mundo todo. 

 

Leia também:

Exploração de Cacau financia trabalho análogo à escravidão na BahiaExploração de Cacau financia trabalho análogo à escravidão na Bahia

A chamada escravidão moderna afeta mais de 40 milhões de pessoas – equivalente a população do Estado de São Paulo. Dentre elas, 25% são crianças. Só no Brasil, mais de 369 mil pessoas estão privadas de direitos básicos, segundo a Organização das Nações Unidas (ONU).

 

Em 2018, ações de fiscalização do Ministério do Trabalho (hoje pertencente ao Ministério da Economia) identificaram 1,7 mil casos de trabalho escravo no Brasil. A maioria desses trabalhadores (1,2 mil) estava em áreas rurais onde a prática é historicamente mais comum.

 

Desde 1995, quando o governo brasileiro reconheceu a prática do trabalho análogo ao escravo e começou a combatê-la, foram resgatados mais de 53 mil trabalhadores em condições degradantes no país. Nesse período foram pagos mais de R$ 100 milhões em indenizações e encargos trabalhistas durante as operações. 

 

A chamada Lista Suja foi atualizada no início do ano pela Secretaria de Inspeção do Trabalho, ligada ao Ministério da Economia – na nova relação há 202 empregadores brasileiros que foram autuados por trabalhos irregulares. A lista é responsável por divulgar o nome de empresas flagradas praticando trabalho análogo ao escravo, além do constrangimento público de fazer parte do catálogo, as empresas têm crédito negado por parte dos bancos públicos que assinam o Pacto Nacional pela Erradicação do Trabalho Escravo. A relação é considerada pela Organização das Nações Unidas (ONU) um modelo de combate á escravidão contemporânea no mundo.

 

 

Diana Ribeiro é estudante de jornalismo pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP). Participa do curso Repórter do Futuro da Oboré, projeto pelo qual a matéria foi produzida.

 


O Justificando não cobra, cobrou, ou pretende cobrar dos seus leitores pelo acesso aos seus conteúdos, mas temos uma equipe e estrutura que precisa de recursos para se manter. Como uma forma de incentivar a produção de conteúdo crítico progressista e agradar o nosso público, nós criamos a Pandora, com cursos mensais por um preço super acessível (R$ 19,90/mês).

Assinando o plano +MaisJustificando, você tem acesso integral aos cursos Pandora e ainda incentiva a nossa redação a continuar fazendo a diferença na cobertura jornalística nacional.

[EU QUERO APOIAR +MaisJustificando]

Segunda-feira, 28 de outubro de 2019
Anuncie

Apoiadores
Seja um apoiador

Aproximadamente 1.5 milhões de visualizações mensais e mais de 175 mil curtidas no Facebook.

CONTATO

Justificando Conteúdo Cultural LTDA-EPP

[email protected]

Send this to a friend