Isto é um desabafo!
Quarta-feira, 27 de maio de 2020

Isto é um desabafo!

Imagem: Agência Estado – Montagem: Gabriel Pedroza / Justificando

 

Por Katya Braghini

 

O Brasil está entregando as suas riquezas naturais aos bandidos. O desgoverno de nosso país está abrindo a possibilidade de aquisição de terras pública. É uma grilagem legalizada. Quem adquire essas terras não terá pudor em devastar o que estiver pela frente. O Brasil virou aquela planície de terra arrasada, tira tudo, arranca tudo, joga sal por cima. Não multa ninguém, neste sentido, não prende ninguém, não impede ninguém; entrega, cede, frauda. Tudo se ganha por negociata, a crédito, na barganha, no lobby. É lixo. Pouso para urubu. É o ambiente de roubo, clientelismo, nepotismo. Local de assassinato aberto, de fuzilamento à luz do dia. País que aceita e estimula a limpeza étnica, a morte de crianças e jovens negros, pobres, favelados. País destruidor de escolas, do ensino público, privatistas, mal feitor, desrespeitador, criminalizador, justiceiro, terrorista. Não respeita os seus idosos, não respeita o trabalhador, não dá segurança às crianças, não tem projeto para a juventude. É um país que permite o desmonte da educação, ciência, cultura. 

 

O governo de nosso país nos convida para um baile genocida. E muitos estão convidados. Há quem grite pelo direito de “ir e vir”, sem proteção, sem máscara, de verde e amarelo, e esses são os bobos da corte. Há quem tome banho e passeie de carro, sem pudor, pedindo que o trabalhador vá trabalhar, enquanto ele fica abastecido em sua casa, com empregada doméstica trabalhando. Ela, sim, sem o direito de se proteger. Esse tipo é o despudorado, sócio do WhatsApp, pequena elite que não se furta de ser a tropa de choque de gente mais importante que ela, mais poderosa que ela, mais proprietária que ela. E a sua liderança, aquela hiena que usa um chiqueiro como porta-voz da República? Baba por “cloroquina”, que é placebo para coronavírus, remédio repleto de contra indicação, na sanha por distribuir os milhões de lotes que mandou fabricar. Siga o dinheiro! Veremos onde ele vai dar. Quem tem o interesse de vender essas pílulas, contrariando a ciência, a medicina, a Organização Mundial da Saúde. E lá de Brasília, fica essa hiena rindo diante dos mortos: faz piada, faz festa, anda de jet-ski, debocha de todos nós, que choramos, que sentimos pelos mortos, que sofremos pelas famílias, pelos amigos… Ser desumano, psicótico!

 

O Brasil transformado nesse poço de lodo, nessa poça de rejeitos, nesse lamaçal de ladroagem. O Brasil é esse lugar de lamentadores profissionais; de uma esquerda pusilânime, titubeante, eleitoreira, fisiologista. Tem uma direita carniceira, interesseira, golpista, malandra, burra, duplamente fisiologista. E uma extrema direita ridícula, de bufões ferozes, estereotipada, afundada no lugar-comum. No passado, o Brasil já foi terra de ninguém. Todavia, agora, é terra aberta para roubo, saque, incêndio, queimada, mortandade, envenenamento, atoleiro, lama, derrama, soterramento. Quem são os responsáveis por isso? Fazendeiros, grileiros, mineradores, madeireiros, empresários, financiadores, banqueiros. Quando serão investigados, julgados, presos? Aqui tem governo genocida, com gentes cúmplices, com povo coitado, com paneleiros torpes. 

 

O Brasil virou um nada. Seu governo é motivo de piada e de esquecimento, fez da terra, um local de párias, um local para avacalhar, uma vergonha completa, tema de sitcom, enredo de pornochanchada. O Brasil virou um local discriminatório, antidemocrático, incivilizado, fascista, racista, misógino, assediador, violentador, mal pagador, mal sustentador, mal patrão, de gente decrépita, grosseira, sem vocabulário, largada, despolitizada, sem coração, sem informação, mambembe. 

 

O Brasil está na classificação “lixo do mundo”, virou “saco de pancada”, motivo de piada, definido por nada. Seu governo circula pelas mídias internacionais como perigoso, indolente, delirante, ignorante. O Brasil foi tornado um local execrável, miserável, instável, perigoso. O povo? Bestializado, abandonado, solto e doente. O povo? Sendo enterrado em massa, em valas comuns, sem os ritos decentes de morte, subnotificados, sem tratamento, sem cuidado, morrem dentro de casa, dentro de seus lares: são filhos, pais, mães, avós. Gente como a gente. A elite? Nojenta. Uma vanglória de bijuterias feias. Um bando de brancos em Land Rover, com estética de shopping center, com preocupações medíocres: cabelo, unhas, botox, falsos brilhantes, “e o PT, heim”?

 

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Um nojo completo essa política de interesses com o Centrão recebendo dinheiro para manter um degenerado na Presidência. Temos um Supremo Tribunal, um poder da República que jaz indolente, uma apatia completa diante da insanidade desse tirano no poder executivo. Três poderes funcionando como um relógio em benefício desse equilíbrio imoral. Não tem justiça, não existe honra nos gabinetes do Congresso Nacional, que se entregam aos conchavos, à mesquinharia, aos acordos visando aos benefícios privados, para manter uma política coronelista, para benfeitoria particular.  Poder podre! Rodrigo Maia, tome vergonha, vergonha! Fecham os olhos diante do “gabinete do ódio”, sucursal de sandices, reprodutores de maldade, de confusão deliberada, desorientadores motivados por um sujeito alucinado, mentalmente perturbado, chamado Olavo de Carvalho. 

 

O Brasil perdeu a sua luz, o ar dos trópicos, os mares do sul, a delicadeza. O Brasil recebe enxofre. País de fanáticos de Jeová, alucinados religiosos, negacionistas, terraplanistas, iludidos, enganados, mal amados, sem crítica, fabricantes de engodo, de caos, de bagunça. Pastores vendilhões, assaltantes de fiéis. Adeptos de “lava-jato”? Multidão de imbecis, gente cínica, leitores de autoajuda, limpinhos do Batel, empreendedores da avareza, mesquinhos, que saem às ruas para golpear uma mulher, que foi inocentada em todas as instâncias, mas ficam entocados, diante de um admirador de torturadores. Gente bruta, raça ignóbil. Terra lotada de celebridades cretinas, influenciadores banais, donos de loja, donos de restaurantes, marcas de roupa, um pasto aberto para falar insolências, banalidades, cretinices. Zumbis, fardados de patriotas, a pior estirpe de todas, gente podre, a mais eloquente canalha.

 

Paro agora porque eu posso passar o dia, a madrugada, repreendendo esse governo e seus cúmplices que, juntos, transformaram o nosso país em uma pocilga. Todos reunidos em uma única reunião. O Presidente? Tenta fazer da Polícia Federal sua polícia particular. O individuo que ocupa a pasta do Meio Ambiente, porque aquilo não pode ser chamado de Ministro, disse para que fosse aproveitado o período da pandemia para “passar reformas infralegais de regulamentação, simplificação”, melhor, “passar a boiada”. Paulo Guedes? Quer congelar os salários dos servidores públicos por dois anos. Para ter sucesso, barganha a assistência federal aos prefeitos e governadores durante a pandemia, em troca de seus apoios. Damares? É uma grande vergonha, um equívoco.  Sem planos para conter a pandemia. Aliás, ao contrário, o plano é usá-la para fazer valer planos de dilapidação do país, pura e simples. Deixar-nos à morte. 

 

Estamos entocados e dependentes de um novo nome, creditado, aceitável pelos grandes financistas, de modo que possamos sonhar, vislumbrar, a retirada dessa linhagem do poder. É uma batalha ao banho-maria. Vemos a aceitação resoluta de Paulo Guedes, notório desqualificado na economia, mas bom cão de guarda das grandes finanças, pela grande mídia. Esta que desestabiliza um país por supostas pedaladas fiscais, mas não faz o ataque de morte ao atual governo, sistematicamente incompetente. Repleto de quadros sem qualificação, sem brio. Um governo que transformou os ministérios em casernas. Os mantém às custas de 20 milhões de desempregados; às custas de quase 20 mil mortes por COVID-19;  às custas da lotação das UTIs públicas; às custas de 20 anos sem investimento em setores essenciais; às custas da entrega de nosso patrimônio nacional; às custas do aumento dos distúrbios mentais na população, ansiedade, paranoia, insônia etc., às custas de maus sentimentos: raiva, ira, medo, tristeza, solidão. 

 

Se você ainda luta; se você é politicamente ativo; se você é digno; batalha pelo humanismo e pela civilização; e não é eleitor de Jair Bolsonaro, nem de sua família, parabéns. Você virou a exceção que reforça a regra. Para nós, valem os amigos, o lar, o trabalho. E, durante a pandemia, vamos agradecer por trancar a vida em apartamentos, o que nos restou para não morrer de tristeza, diante desse inferno desgraçado, lamentável, triste, desprezível que virou o nosso país. 

 

Ficou a revolta! Se ainda sobrou alguma dignidade, que ela se levante, cresça, espalhe, vicie, tome conta de tudo, transforme tudo. Alastre-se como sementeira de margaridas, de flores brancas, que venham pássaros, abelhas, insetos, polinizem, tome conta de tudo. Chega de aceitar esse país abandonado, chega de aceitar esses chutes, as estocadas diárias, essa desonra, essa surra. Vamos documentar tudo. Vamos ampliar um movimento maior, por todos os canais legítimos possíveis pela destituição desse governo. Vamos lutar por sua implosão, destruição. Basta de aceitar a lassidão geral que tomou conta das nossas vidas. Congresso Nacional, deputados e senadores, acelerem os processos possíveis para acabar com essa tortura e o clima de morte em nossa terra, o povo do Brasil está morrendo. STF paralise esse tirano de pijama, esse arremedo de ditador, que eleva a voz contra vocês. As leis republicanas não são alimentos dos porcos. Crianças, meninos, meninas, oxalá um dia veremos esses sujeitos no banco dos réus no Tribunal Penal Internacional por crimes contra a humanidade, crimes contra a nação, contra o povo.

 

 

Katya Braghini é doutora em educação, professora e pesquisadora do PEPG em Educação: História, Política, Sociedade (PUC-SP), historiadora da educação.


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Quarta-feira, 27 de maio de 2020
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