Vítimas fatais do racismo: No Brasil a situação não é diferente
Sexta-feira, 29 de maio de 2020

Vítimas fatais do racismo: No Brasil a situação não é diferente

Imagem: Reprodução Twitter

 

Por Marcos Almir Almeida de Souza

 

Na última segunda-feira (25), o mundo presenciou mais uma vítima brutal do racismo impregnado nas diferentes sociedades. O caso aconteceu na cidade de Minneapolis, no Estado norte-americano de Minnesota, a vítima da vez foi George Floyd, de 46 anos, acusado de utilizar uma nota 20 dólares falsificada em uma loja de conveniência. Após a denúncia, Floyd foi detido por um policial e imobilizado no asfalto da rua, o policial pressionou o seu joelho esquerdo contra o pescoço de Floyd por quase 10 minutos, mesmo havendo o pedido de socorro por Floyd que estava sendo sufocado. Floyd morreu minutos depois em um hospital da cidade.

 

No dia seguinte ao assassinato, ocorreram protesto em busca de justiça pela morte de George Floyd, os protestos que se iniciaram de modo pacífico rapidamente tornaram-se incontroláveis pelas autoridades, convertendo-se em uma grande revolta popular. 

 

O policial responsável pelo ato injustificável contra Floyd, Derek Chauvin, não representa um caso especial de racismo nos Estados Unidos e no mundo. Afirmar que tal atitude foi isolada e singular é completamente errôneo, visto que na referida abordagem, Chauvin estava acompanhado de outros três policiais que não o impediu de cometer tamanha covardia, dando legitimidade ao modo de abordagem sobre Floyd.

 

A família de Floyd solicitou que o até então policial Chauvin, seja condenado por assassinato. O chefe da polícia local, Medaria Arradondo, imediatamente demitiu os quatro policiais envolvidos no assassinato, sendo requerido investigações ao Federal Bureau of Investigation (FBI)¹. 

 

A ação aumentou ainda mais a desconfiança dos minnesotanos na polícia local, visto que não constantemente há casos de racismo e abuso de autoridade². A mobilização social sobre o caso George Floyd suscitou protestos inimagináveis, havendo o registro de depredações, incêndios, saques e danos na cidade de Minneapolis, resultando em prisões, pessoas baleadas e uma morte por arma de fogo³. A polícia reforçou a delegacia na qual os quatro policiais estavam, pois os manifestantes tentavam alcançá-los. Jacob Frey, prefeito de Minneapolis, acionou a Guarda Nacional dos Estados Unidos para ajudar na contenção à revolta popular.

 

No Brasil, assim como em diversos países, a situação não é diferente. De acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), negros têm 2,7 mais chances de ser vítima de homicídio do que brancos⁴.

 

Caso recente que vale ser relembrado, similar ao de George Floyd ocorreu em fevereiro de 2019 na Barra da Tijuca, Rio de Janeiro. Trata-se de Pedro Henrique Gonzaga, de até então 19 anos, que foi imobilizado no chão de um supermercado por um segurança do estabelecimento. Mesmo com o alerta dos populares que estavam no local, o segurança continuou sufocando o jovem que veio a falecer a posteriori. Apesar das similaridades com o caso ocorrido em Minneapolis, os protestos no Rio de Janeiro limitaram-se a manifestações pacíficas na entrada do supermercado e nas redes sociais.

 

Para além dos casos citados, é possível listar uma imensa reprodução de casos similares que mantém-se continuamente nos noticiários. Revisitando Martin Luther King Jr em uma de suas frases percebemos a reflexão viva em nossas vidas, “a injustiça em qualquer lugar é uma ameaça à justiça em todo lugar”. A mencionada frase pode ser atribuída a casos como o de George Floyd, que teve a revolta popular como uma súplica histórica de opressão e violência contra os que resistem diariamente.

 

A violência sucessivamente aplicada em minorias evidencia a estrutura social que estamos inseridos, a resposta popular com violência é uma reciprocidade ilegítima construída paulatinamente contra os que legitimam historicamente a sua violência.  

 

 

Marcos Almir Almeida de Souza é graduando de Geografia pela Universidade Federal do Amazonas – UFAM

 


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Notas:

[1] CULVER, Jordan. What we know about the death of George Floyd: 4 Minneapolis police officers fired after ‘horrifying’ video hits social media. USA TODAY, 2020. Disponível em https://www.usatoday.com/story/news/nation/2020/05/26/george-floyd-minneapolis-police-officers-fired-after-public-backlash/5263193002/ (Acesso em 29 de maio de 2020).

[2] MILLER, Tyler. George Floyd’s death another wound for Minneapolis’ black community: ‘Why can’t I just be black in the state of Minnesota?’. USA TODAY, 2020. Disponível em https://www.usatoday.com/story/news/nation/2020/05/27/george-floyds-death-african-american-distrust-minneapolis-police/5266888002/ (Acesso em 29 de maio de 2020).

[3] WIITA, Tommy. Minneapolis Police Chief Arradondo: 5 arrests made at protest, some property damage ‘significant’. KSTP-TV 2020. Disponível em https://kstp.com/news/minneapolis-police-chief-arradondo-5-arrests-made-at-protest-some-property-damage-significant-may-27-2020/5742961/ (Acesso em 29 de maio de 2020). 

[4]IBGE: População negra é principal vítima de homicídio no Brasil. 2019. Disponível em https://exame.com/brasil/ibge-populacao-negra-e-principal-vitima-de-homicidio-no-brasil/ (Acesso em 29 de maio de 2020).

Sexta-feira, 29 de maio de 2020
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